domingo, outubro 24

Quase quis um Fusquinha

Depois de finalmente dirigir o Fusca azul que minha mãe tem no sítio, juro que pensei seriamente em ter um pra mim. Custa uns R$ 3.000, não paga IPVA e qualquer mecânico sabe mexer. É bem pequeno, e valente.

A experiência ao dirigir beeem bacana. É um carro visceral: você se sente realmente conduzindo a máquina. Tudo treme e você percebe no volante. A cabine é mínima, o teto quase bate na cabeça. O volante, menor que o normal, fica colado no painel, que só tem velocímetro e medidor do tanque e fica colado no minúsculo pára-brisa.

Pra frear, pelo menos nesse Fusca, tem que enfiar o pé lá no fundo, o que proporcionou alguns momentos emocionantes no começo. O câmbio é duro e você erra fácil. Fora que o jeito de segurar a alavanca é totalmente diferente.

No fim, quando aprendi a colocar a ré, já fazia até baliza e retorno no meio da rua. E acelerei até 100 km/h sem (muita) dificuldade. Tirando onda de Fusca 1.500 azul metálico no centro de Guararema. Com seu Tonico, o pedreiro do sítio, no banco do passageiro, agarrado na lataria.

O Fusquinha fica ali numa zona cinzenta entre o cool e o brega, mas acho que pendendo bem mais pro lado do brega. Claro que ia ser engraçado entregar um Fusca pro Evandro, o manobrista do Filial. Mas tenho a impressão de que precisa ser uma menina muito especial pra achar engraçado eu chegar de Fusca na porta da casa dela. E vai confiar num Fusca pra chegar até São Sebastião, ou Floripa...

Depois de pensar só mais um pouquinho, decidi que é melhor eu cobiçar mesmo o outro carro da minha mãe, um Corsa ajeitadinho com ar condicionado e direção hidráulica, e um décimo dos 31 anos de idade do Fusca. Esse fica só pra diversão nos finais de semana na roça.

Desespero
Estava no meio do cochilo pós-churrasco, quando a confusão me acordou. Uma, duas, três pessoas vieram me avisar: "sua sobrinha se trancou no banheiro". Quando me dei conta da choradeira, levantei da rede e vi o povo amontoado na porta do banheiro. Enquanto uns tentavam abrir, o resto tentava acalmar a Carol, a filha mais nova do meu irmão mais velho. Dureza: a coitadinha só berrava e não se mexia pra abrir a porta. Sem sucesso, a parte salva-vidas do grupo correu pro lado de fora. O barulho do vidro quebrando fez um silêncio na sala, e eu finalmente acordei de vez. Todo mundo voltou a respirar quando meu outro irmão começou a falar com ela, e abriu a porta. Óbvio que ninguém imaginaria um desfecho diferente, mas mesmo entre as risadas, aqueles minutos foram de puro desespero.

sexta-feira, outubro 22

Eu, Marcella e o risoto

Quando eu resolvi fazer risoto a primeira vez, uns cinco anos atrás, quem me salvou foi a Marcella Hazan, autora de uns livros clássicos sobre culinária italiana que minha mãe tem. Ela explicava direitinho porque tem que colocar o caldo aos poucos, porque não pode parar de mexer... E eu, que não sabia nem fazer um arrozinho branco do dia-a-dia, fiz um risoto de funghi maravilhoso.

Tentei outras vezes, não deu tão certo. Resolvi fazer de novo ontem. E ficou, modéstia às favas, sensacional. Mesmo sem o livro de receitas na mão e confiando em uma ou outra dica da internet e de amigos, lembrei dos ensinamentos dela e ficou tudo espantosamente maravilhoso.

Pra quem quiser, tá aqui a receita. Eu achei todos os ingredientes no PDA perto da minha casa, que é ainda um daqueles mais tosquinhos (nem 24 horas é, pra vocês verem). Dica: do instante em que eu cheguei em casa com as compras até botar os pratos na mesa, levou mais ou menos uma hora e meia.
Risoto de funghi secchi
  • Duas xícaras de arroz arborio (comprei a marca mais baratinha - La Pastina -, não fez nenhuma diferença)
  • 30 g de cogumelos secos italianos (funghi, ok?)
  • manteiga e azeite
  • cebola picada (eu usei meia cebola grande)
  • parmesão ralado (pelamordedeus, compra o pedaço e rala em casa; aquele pó de queijo do saquinho é muito trash)
  • um cálice de vinho branco (pode ser o mais tosco; usei Chalise, 5 pilas a garrafa).
  • 1,5 litro de caldo de galinha ou carne (3 cubinhos)
  • é bom ter um tanto de água quente fervendo à mão pra qualquer emergência
Logo que chegar em casa, corre pra botar os cogumelos pra hidratar. É só cobrir com água quente. É bom que ficar pelo menos uma meia horinha.

Antes de começar o risoto, é preciso ter certeza de que tudo, tudo mesmo, está absolutamente à mão. É que um dos grandes segredos da coisa é não parar de mexer nem um segundinho.

Escorre os cogumelos sem jogar fora a água. Joga a manteiga (uma colher dá) e um pouco de azeite numa panelona, e refoga a cebola por um tempo. Depois joga o arroz e dá aquela fritada, mexendo bem.

Aí começa a trabalheira. É jogar o líquido na panela, esperar que seja absorvido pelo arroz, e repetir isso sem parar de mexer nunca. A Marcella disse que o ideal é por 200 ml de cada vez. Pra evitar qualquer chance de fracasso, uso um copinho americano como medida.

Primeiro, a água do funghi. Uns dois copos. Joga na panela, mexe, mexe, quando tiver absorvido (você começa a ver o fundo da panela ao mexer), mais um copinho, mexe, mexe... E assim sucessivamente.

Depois dos dois copos da água do funghi, comece com o caldo. Um copinho, mexe, absorve... ad infinitum. Quando o caldo estiver chegando no fim, o risoto deve estar quase pronto. O melhor jeito de saber é que nem com macarrão: provar um pouquinho. Está bom quando estiver al dente, ou seja, nem duro, nem desmanchando.

É a hora de jogar o funghi. Mete na panela, e mistura tudo. Quando o arroz estiver bom, desliga o fogo, e joga uma colher de manteiga e um punhado de parmesão por cima. Fecha a panela e deixa uns minutinhos pra manteiga derreter.

É a hora de correr pra por a mesa, as taças de vinho, guardanapos... e voilà!! Dá pra umas três pessoas. Com educação, dá pra quatro.
O melhor é que, dessa vez, tô muito mais metido na cozinha. Nas outras vezes, o tal arroz arborio simplesmente estragou depois. Agora já tô maquinando que outros risotos vou inventar. Lingüiça é o próximo, mas quero fazer também de açafrão pra comer com filé mignon. Ops, babei.

quinta-feira, outubro 21

Superstar DJs

1999, véspera de Natal, 22h. Saindo de carro da garagem, rumo à ceia na casa de um irmão. [Tum tum tum] Hey girls... Primeiro portão subindo. [Tum tum tum] Hey boys... Primeiro portão fechando, segundo abrindo. Superstar DJs... Engato a primeira, testo o acelerador. Here we go! Uma acelerada, dois segundos, um solavanco. Transtornado pelo som do Chemical Brothers, bati meu carro na véspera de Natal, e todo mundo (eu e o casal bonzinho do outro carro) passou a noite na delegacia.

Até hoje essa música me causa algo parecido com um transe. É a fina arte da expectativa na música eletrônica. Aumenta, diminui, anda, para... Quando a hora do show estava chegando, fiquei tenso, esperando o momento do [tum tum tum].

Depois de abrir o show com essa, já mandaram o outro mega hit "Block Rockin Beats" (é assim?). Parece que eles queriam tirar logo isso da frente, "curte os hits aí, moçada, depois a gente vai fazer nosso som".

O que veio depois foi sensacional. Costumo dizer que um DJ é bom se consegue me fazer dançar com músicas que eu não conheço. Pulei muito mesmo. O visual nos telões quase compensou o fato de não dar pra ver os caras. Um som astral, pra cima, flores e muitas coisas coloridas. Uma viagem do bem.

O fim, à meia-noite em ponto, pareceu festa de adolescente, quando o pai chega e desliga o som (o meu já fez isso, ainda bem que não comigo).

Investimento
Fiquei muito pobre esse mês, mas já vi David Byrne, Chemical Brothers, e ainda tem o TIM. Mas parece que o ingresso pra PJ Harvey/Primal Scream tá valendo uma grana no black market. Eu comprei no embalo mesmo, mas, sinceramente, conheço muito pouco, não sei se o suficiente pra curtir. Alguém quer comprar? Tem que ter carteirinha de estudante.

Nova aquisição
Sempre que ouço uma música boa que eu não conheço (na rádio, numa festa ou num show), fico gravando um pedaço da letra pra poder enfiar depois no Google e baixar. Óbvio que sempre esqueço. Mas dessa vez eu consegui! E descobri a ótima "Golden Path", que saiu no disco de melhores singles deles no ano passado. Vocal do cara do Flaming Lips, refrão épico. Muuito bom.

segunda-feira, outubro 18

O bom clichê

Cláudio Torres (diretor de "Redentor"), no Estadão de ontem:
Quais os piores clichês do cinema? E os clichês indispensáveis?
Os piores: Final feliz, criança amigo do herói e bandido que morre por ordem de cachê. Os indispensáveis: ‘Carrinho in’ para cenas de suspense,
cena de amor e música de ressurgimento da esperança.
"Carrinho in" é técnico demais, num tenho certeza se entendi. Mas música "de ressurgimento da esperança" é sensacional.

Gostei muito do novo Estadão. Mudou o que precisava mudar. E agora tem guia de bolso na sexta. Agora que não preciso mesmo da Folha pra nada.

Bom mau gosto

Sabe aquela música ruim, mas ruinzinha mesmo, sem vergonha, que você, por algum motivo, gosta pra caramba? Esse final de semana coloquei mais uma na lista. Depois que todo mundo encheu a cara de um jantar delicioso, mais champagne e morangos, a dona da festinha para seleto grupo de economistas (que vem a ser minha atual futura cunhada) afastou o tapete branco da sala e aumentou o som.

Não sei se era superstição, mas cada música tocava umas três vezes. E essa tocou várias vezes, com aquele refrão ruim que dá dó, mas que gruda: "pode ser a qualquer hora, pode ser qualquer lugar..." (só piora). Aditivos mentais a mais, luzes a menos, e virou a trilha sonora da noite.

Google me ajudou a descobrir que o rapaz cantando era Toni Platão, celebridade B dos anos 80 que depois de um tempão lançou um disco chamado Calígula Freejack (hein?), e emplacou a música título na trilha da novela "Agora é que são elas" (hein?).

A música em questão chama-se Pode Ser, e encanei tanto nela que abri uma conta no iMusica e comprei a danada por R$ 0,99. Depois conto o que eu fiz com os outros R$ 4 de crédito que eu tenho agora.

PS: Tinha pensado em apresentar meu top 10 de músicas ruins, mas depois concluí que queimação de filme tem limite.

quinta-feira, outubro 14

Invenção do século

Lingüiça, maminha, espeto de queijo coalho, vinagrete, Itaipava gelada. Tudo isso na minha cozinha, graças à minha novíssima Mister Grill Light. Muita diversão por apenas R$ 26 (no Extra). Que não faz fumaça não é totalmente verdade, fica aquele cheirão de churrasco no apartamento todo. Mas vale totalmente a pena, mal pude acreditar quando comi aquelas coisas sem sair de casa. To fazendo vários planos: churrascada com amigos, franguinho light grelhado, legumes grelhados! Problema é limpar... ugh!

Eu sou impressionante
Toda essa diversão do churrasco rolou depois de uma hora e meia trancado pra fora do apartamento, esperando o chaveiro 24 horas chegar, passando mal de fome (das pouquíssimas situações em que fico mau-humorado). Tudo isso pra chegar na redação hoje e encontrar a chave em cima da mesa. R$ 80 jogados no lixo! Que ódio!

quarta-feira, outubro 13

Irmão consciência

Depois que ele veio morar em São Paulo, tenho tido muito mais oportunidades de bater papo com meu irmão mais velho. E muitas vezes sinto ele como uma consciência minha. Quero passar um tempo morando em Londres. "Você precisa primeiro garantir sua independência financeira", ele diz. Preciso encontrar a mulher de minha vida. "É preciso ser pragmático nos relacionamentos." Eu puxo de um lado, ele de outro. Esse jeitão... pragmático (palavra muito usada nesse feriadão) certamente foi o que fez ele não quebrar se ferrar na vida, porque sempre achei que ele era o que tinha mais chance de se dar mal. Hoje ele sustenta quatro filhos, numa boa. Mas será que eu quero mesmo?

Obrigado, São Longuinho
Fiquei muito triste quando fechou, pouquíssimo tempo de abrir, a Itiriki da avenida Aclimação. Era uma filial daquela padoca japonesa/chinesa da Liberdade, onde eu adorava torrar meu dinheirinho em pães de comer ajoelhado, pedindo perdão. Mas agora abriu por ali a Bienal, uma daquelas padocas alto nível: funcionários uniformizados, fotos antigas de São Paulo na parede, chopp bacana, cardápio de lanches especiais... Só pra eu gostar ainda mais desse bairro (todo mundo sabe que eu aaaamo uma padoca). Ainda bem que a outra, mais simplesinha, que eu vou sempre, fica ao lado da minha casa. Ou eu ia ficar pobre de marré marré.

Tio Patinhas
Me dei conta que posso estar virando um muquirana mala. Mas gastar R$ 5 em deslocamentos de aeroporto daqui para Floripa, enquanto meu irmão gastou R$ 100, foi sensacional.

Atrasado
Depois de falar em tom de descoberta sobre Paula Morelembaum, descobrir que a primeira música do CD tá na abertura da novela das sete foi frustrante. Melhor, talvez, ficar sabendo depois, porque gostei mesmo do disco.

sexta-feira, outubro 8

Dancing Byrne

As dancinhas do David Byrne quase foram a melhor coisa do show. Quis até prestar atenção pra aprender todos os passos, mas depois a gente concluiu que na verdade ele imita a gente, então não precisa.

Foi muito bacana. Sensacional. "Road to Nowhere" ele mandou na primeira metade do show, e foi emocionante. Pena que não tive a manha de levantar nessa hora e sair pulando. Absurdo ter que ver um show como esse apertado numa cadeira daquelas mesas desajeitadas.

Ainda mais que ele emendou em "Nothing But Flowers", que foi triplamente sensacional: primeiro porque é uma das músicas mais bacanas do Talking Heads, depois pelo alívio de que eram realmente infundados os boatos de que o Caetano subiria no palco, e pra completar pela versão forró (!) maravilhosa, com direito a gringos loirinhos tocando zabumba e triângulo. Queria muito ter levantado e dançado o forrozinho do David Byrne.

Em "The Great Intoxication", a minha preferida dos últimos dois discos, eu achei que ia chorar de emoção. De verdade. Primeiro, ele contou que tinha feito essa música pra duas pessoas da firma dele que estavam começando a sair, o que me fez adorar ainda mais. É a intoxicação de quando você está começando a achar que gosta de alguém. Põe o som na maior altura, faz besteira, fica bêbado... E ele mudou o arranjo, cheio de cordas, uma coisa linda.

Teve dois bis, e vários momentos engraçadinhos. O melhor foi quando um cara na platéia pediu, gritando, "Burning down the house", e ele: "Não vamos tocar essa, tá? Então pode economizar sua voz".

Fui obrigado a tomar uns chopps depois pra acalmar. Ufs.

Campanha
Tem músicas que eu gosto tanto que não consigo me conformar com a indiferença dos outros por ela. Acho que todo mundo deveria ouvir e gostar, simplesmente seria melhor pra todo mundo. Assim é "Road to Nowhere", que estou achando uma música perfeita. Então vou fazer campanha: ouça, e melhore sua vida. Saia por aí marchando e imitando os gritinhos do final. Satisfação garantida. Pra facilitar (ou forçar a barra mesmo), tá aqui a música, pra todo mundo baixar:

Road to Nowhere (Talking Heads)

Perigo!
Vou voltar de Florianópolis como responsável legal pelos meus dois sobrinhos (8 e 11 anos) e meu irmão menor (11). Medo!

quinta-feira, outubro 7

Moda municipal

Que mané casaquinho da Adidas comprado no shopping... Fashion mesmo são os abrigos do uniforme escolar da prefeitura. Hoje vi o modelo azul, e tem um vermelho também, os dois com uma listra branca na manga, e no peito uma bola amarela com aquela estrela disfarçada de bonequinho vermelho do logo do governo. Dá pra conseguir um? Ou vou ter que atacar uma criancinha na saída do colégio?

Berimbaum
Tirando esse nome trocadilho quase engraçado, é uma delícia o disco da Paula Morelenbaum, que deve ser filha/neta/sobrinha do Jacques (preguiça de pesquisar). É aquele básico eletro-bossa, umas novas, umas regravações. Bem interessante. A voz é bacana, e pra me ganhar (tenho certeza), gravou Insensatez, que já foi a música da minha vida por muito tempo. É das poucas músicas bacanas do ponto de vista de quem deu o pé na bunda, que também fica muito triste, sim sr.. Mais aqui

domingo, outubro 3

Music for life

Além de Chico Buarque e João Gilberto, ela teve o dom de me apresentar David Byrne também. E uma lista de outras coisas. Comprei um monte de CDs, descobri que ele descobriu o Tom Zé (e descobri junto), adoro a voz do cara, acho genial tudo o que ele faz. Por um tempo, era um trio de amigos pra tudo, e ele dizia isso mesmo: "ele [o David Byrne] é um gênio".

Pobre coitado do cara que comprar o quarto ingresso da mesa que esse trio vai ocupar no Tom Brasil na quinta, show do próprio mr. Byrne. For the sake of old times.

Britpop e eu
Foi lendo a matéria da NME sobre os dez anos do primeiro disco do Oasis, e tudo o que aconteceu no rock britânico naquele ano e depois, que me ocorreu a tosca comparação.

Voltei da Europa em 96 ouvindo Blur, Oasis, e algumas coisas mais trash. Foi também o ano que saiu (e eu comprei) Everything Must Go, do Manics, um dos discos mais sensacionais de todos os tempos. De uma hora pra outra, tinha 18 anos, um carro, tinha saído do colégio e fazia faculdade. Com um monte de gente bacana, totalmente diferente dos manés do Dante (eu incluso). A namorada de adolescência não combinava mais, e precisei pela primeira vez pensar em como se terminam as coisas.

Corta a cena pra 2004, vou terminar minha faculdade e tentar viver de um jeito um pouco diferente. Ah, se quiser carregar na simbologia, não tenho mais carro, nem namorada.

Ok, não deu dez anos, meu sobrenome não é Gallagher e minha vida não é a trajetória do rock britânico (ainda bem, talvez), mas deu aquela sensação de que algo que começou bem nessa época vai ser concluído.

Putz, e acabei de me tocar que arrumei mais um ótimo motivo pra me mandar pra Londres no final do ano. Isso sim seria uma conclusão.

Urna
Acho que nunca vou transferir meu título pra Aclimação. A cada dois anos, posso voltar no Dante, e agora já dá pra relevar as besteiras que eles fazem com crianças lá, e só ficar botando reparo. Esse ano a novidade era uma cobertura na entrada, mas o resto está lá igual, o pátio, a escadaria, os vitrôs. E voto na mesma sala que eu fiz o 3º colegial. Quer dizer, tenho quase certeza que é a mesma, mas é no máximo a do lado. Acho que redividiram as classes. Mas é muito mais bacana achar que foi realmente naquela sala que eu dormi babando na carteira, tomei bronca de professor, anotei as aulas mais bestas e distribuí livrinhos de poemas.

Votei tão rápido que fiquei com medo de ter votado errado. Quando levantei da urna, dei uma olhada em volta da sala. É lá sim.

domingo, setembro 26

Listmania

Top 10 músicas para ouvir de luz apagada, deitado na cama, percorrendo com a mão, quase sem encostar, todos os cantinhos de um corpo, quente de não ter que fazer nada pro resto da vida:

Não Vá Ainda - Zélia Duncan
Unravel - Björk
Pra Machucar Meu Coração - João Gilberto
Acabou Chorare - Novos Baianos
The Night I Heard Caruso Sing - Everything But The Girl
Waiting For That Day - George Michael
Ce Matin La - Air
To Sheila - Smashing Pumpkins
Fox In The Snow - Belle & Sebastian
Era Casa Era Jardim / Veja Margarida - Vital Farias e Geraldo Azevedo

Tem música pra ouvir sábado de manhã, tem música pra ouvir na estrada pra praia, pra cozinhar, pra tomar banho, pra se arrumar correndo atrasado, pra descer do avião... Montar CDzinhos perfeitos pra cada situação é uma daquelas muitas coisas que eu digo que vou fazer e nunca faço há muito tempo.

quinta-feira, setembro 23

The heat is on

Coisas para se fazer nesse calor do Congo©:

  • Ir trabalhar de bermuda. Combinamos de liberar no trabalho, com a condição de ter uma calça na mochila, pra eventualidades. Não é sensacional? Eu aaaamo a firrma. Só não precisava ter recebido visita surpresa do assessor de imprensa engravatado bem no dia que resolvi estrear meu visual escoteiro-mirim.

  • Matar a aula do chileno-tecla-sap-por-fabor pra jantar bifinho com arroz e feijão em casa, tomando Skol(s) gelada(s). Aaaaah...

  • Manter estoque permanente de pedaços gelados de melancia, pra comer a cada passagem pela frente da geladeira. E como é casa a minha e eu faço as regras, pode comer melancia sem prato, cuspindo a semente na pia e pingando caldinho cor de rosa pela casa.

    Depois conto mais sobre complexo de Magali (paixão por melancia).
  • terça-feira, setembro 21

    Sede de economia

    Obrigado, Quaker e São Longuinho: o preço do Gatorade baixou! Agora com apenas R$ 2, mais as duas Neosaldinas, sua ressaca está curada! Vem na semana apropriada: jacas e muito calor programados na mesma proporção.

    Onde é que enfiei aquelas armas?

    Todo mundo deveria ler no Estadão de domingo o artigo do estatístico Bart Kosko sobre guerra no Iraque ("Ameaça terrorista talvez seja um grande blefe"). Olha o exemplo do sr. Bart: se você está fazendo compras numa loja e se dá conta que suas chaves sumiram (típico do rapaz aqui), em quantos lugares precisa procurar para chegar à conclusão de que as chaves não estão na loja? Quanto mais você procurar e não achar, mais aumenta o que ele chama de evidência negativa, ou seja, não é que elas certamente estão lá, só que bem escondidinhas. Muito mais provável que elas não estejam. E isso vale para as armas de destruição em massa que os caras insistem em procurar no Iraque e não acham... Foi das coisas mais interessantes que li sobre a guerra.

    Me faz lembrar um livro que eu nunca li mas adoro citar ("The Mathematician Reads The Newspaper"), de um americano chamado John Allen Paulos. Ele destrói os repórteres que adoram enfiar uns números no Excel e chegar a conclusões assustadoras. No caso mais divertido, ele cita uma reportagem alarmante sobre as possibilidades de o uso de celulares causar câncer de ouvido. Distorcendo os números de outra forma, diz ele, você conclui, tão irrefutavelmente quanto na primeira hipótese, que o uso dos telefones móveis na verdade previne a doença... Como dizia meu irmão, "número é assim: tortura que ele fala".

    Volta, Heródoto
    Nos dias em que acordo cedo (atualmente, todos, vejam só), faz parte da minha felicidade matinal, junto com um banho, um pãozinho com manteiga e litros de café com leite, ouvir notícias no rádio. Na CBN, especificamente. Com o Heródoto Barbeiro, mais especificamente. Só que não bastasse ele ter saído de férias, botaram no lugar o animal do cara que apresenta o programa da tarde, aquele que eu xingava (de verdade) no caminho pro trabalho quando entrava às 14h. Não consigo ouvir a voz dele por 10 segundos. Das alternativas, a menos pior é a Eldorado, que é meio sem graça porque repete várias notícias do Estadão, que neste momento já está me acompanhando no café da manhã. Volta, Heródoto, please?

    Ok, com essa esgotei minha cota de manias usualmente atribuídas a pessoas com mais de 65 anos. E olha que eu tenho ela desde uns... 19. Putz.

    domingo, setembro 19

    Upgrade

    Geladeira, duas semanas atrás:
    - 10 Itapaivas geladas
    - potinho de pepinos em conservas (2 meses)
    - potinho de alcaparras (6, 7 meses?)
    - mostarda Dijon (vencida)
    - requeijão
    - 3 salsichas
    - meio sorvete de creme
    - limão

    Geladeira, domingo, 19/9:
    - 2 Itapaivas, 5 Skols, 4 Bohemias (geladas)
    - Guaraná 2 litros
    - 1/4 de melancia
    - 3 papayas
    - uvas (lavadas)
    - mandioquinhas
    - 1 cenoura
    - meio queijo direto do sítio
    - marmitex de churrasco, arroz e vinagrete
    - marmitex de afogado com arroz
    - 2 potes de molho de tomate congelado
    - 3 bifes congelados
    - 3 peitos de frango congelados
    - cuscuz marroquino com frango, congelados
    - potinho de alcaparras (2 meses e 2 semanas)
    - limão

    Impressionante a diferença que fazem R$ 10 na mão da Jose pra ir na feira, mais uma passadinha no Extra pra aproveitar os preços de cerveja e um final de semana no sítio de mamis pra se abastecer de sobras do final de semana. Alguém precisa jogar essa alcaparra fora.

    Se alguém ficou curioso, afogado é basicamente um cozidão de carne com batata, que sempre rola de graça nas festas comunitárias lá de Guararema. O cara do açougue doa um pouco de carne, outro doa batata, minha mãe deu uns temperos e levou umas bocas pra comer, e um tupperware cheio pra casa, porque foi só metade das 300 pessoas que o candidato tava esperando.

    Amora season
    A amoreira da minha mãe continua a expelir quantidades absurdas de amoras bem pretas e docinhas. Minha caipirosca não deu muito certo, mas esse final de semana teve geléia de amora no café da manhã, amora com suspiro e chantilly na sobremesa, e bolo de amora com o cafézinho depois do cochilo da tarde na rede. Hmmmm...

    quinta-feira, setembro 16

    Política feijão com arroz

    Entre aquelas que fazem você achar que tem uma vida decente, uma das mais bacanas é almoçar em casa. Chegue no trabalho às 13h e diga "almocei em casa". A reação de todo mundo (que não almoça em casa) é automática: "aaaai, que delícia. aaaai que inveja".

    Tinha arroz, feijão preto e bife acebolado. E saladinha. Como rende uma xícara de feijão, né? Comi muito, e ainda tem dois potinhos na geladeira. Aliás, o que precisa pra meu feijão preto virar caldinho de feijão?

    Parece que depois de quase quatro anos fora da casa de mamis, estou finalmente me entendendo com a geladeira e a despensa. Deixo um dinheiro pra Jose na quarta, ela vai na feira, compra frutas pra semana. Faz alguma comidinha, feijão, molhos, e meu congelador fica cheio de potinhos prontos pro jantar. Pra fazer companhia pras latinhas geladas de Itaipava.

    Me acaberei três dias seguidos
    Saiu a programação oficial do Tim Festival 2004. Pra morrer. De pular, e de gastar dinheiro. Soulwax e 2manyDJs, num dia, Primal Scream e Bebel Gilberto no outro, e Pet Shop Boys no último. Putz!

    segunda-feira, setembro 13

    $onar $ound

    Foi a balada mais cara do século (R$ 100 só de taxi, putz...), mas valeu totalmente a pena. Quando começou a chover, deu medo de ser um novo Skol Mico, mas não demorou muito pra me convencer do contrário _ausência de fila na entrada, e também para comprar bebida a noite toda, banheiros decentes, caras bonitas...

    Começou uma grande surpresa: DJ Dolores. Quando os jornais hyparam o cara, me deu preguiça. Mas é beeeem bacana. Um DJ animadão, uma negona cantando com um chocalho, seção de metais... "É som de preto, de favelado...". Só não pulei mais porque tava me preservando pro resto.

    Ponto alto: Kid Koala. Não é que foi difícil o cara me ganhar: tocou músicas dos dois artistas que eu mais venero. Entrando na pista, ele terminou Boys Don't Cry e emendou Bachelorette, úma música épica, ultra-dramática e sensacional da Björk. Passei mal e saí correndo, derramando chopp na mão. O solo de scracth sobre Louis Armstrong foi lindo. Mas precisei correr pro banheiro, e ele tocou Idiothèque, do Radiohead, quando eu tava na fila (foi o grande não-momento da balada). Eu pensava, "droga, eu que sempre quis tocar isso na balada".

    A maior decepção foi o Patife, anunciado pra tocar com Trio Mocotó. Esperei até quando pude pra ver a combinação, que me parecia muito bacana, mas enchi o saco do drum & bass mala e e fui terminar a noite no Laurent Garnier.

    Que foi demais. Por Out of Space, do Prodigy, uma das minhas atuais all-time favorites. Pelos peguinhas de felicidade que eu dei na pista. Pela galera que eu achei (sempre bom ter um monte de gente pra pular junto). O cara é realmente bom, e eu com os pés já estourados, louco pra ver como aquilo ia terminar, mas às 8h não deu mais e fomos embora. Eu mal conseguia andar, o taxista praticamente me rolou pra fora do carro. Só deu pra comer umas bisnaguinhas com requeijão e zzzz....

    Temporada prejuízo
    Vou torrar todo o dinheiro que eu não tenho em shows este ano: já começou com o Sonar, em outubro tem David Byrne imperdível, depois vem TIM Festival e Chemical Brothers. Preciso de linha de crédito especial para shows. Pra completar, tem show do Moby (aaah) no Rio, mas é numa festa fechada, então nem adianta me preocupar.

    Lombriga feliz
    Passei muito bem esse final de semana. Começou com um cozidão de frango com legumes e cuscus marroquino na casa da minha mãe. Pra comer de joelhos pedindo perdão a deus. E ela ainda veio com o sorvete de amoras catadas ali mesmo. Acho que vou babar. De noite, Erikinha providenciou homus, arroz com castanhas e saladinha do Almanara, amo ela pra sempre. Almoço do domingo no Acrópoles, moussaka e lula perfeitos. Jantar em casa de noite: macarrão com o molho de tomate gostosinho que a Jose deixou congelado. Depois dessa sequência fenomenal, posso passar a semana toda comendo hamburguer com catchup e arroz sem reclamar.

  • Cuscus marroquino é uma das coisas que mais gosto de cozinhar, é bem gostoso e facinho de impressionar. Mas agora aprendi com mamis como faz pra ele ficar ainda mais gostoso (refoga com um pouco de cebola e tomate). Me aguardem!

  • A amoreira foi o momento volta à infância do final de semana. Perdi horas catando, tingindo de roxo os pés, as mãos e quase todo o resto do corpo. Trouxe umas pra casa com uma idéia maligna: caiproska de amora. Que tal?
  • sexta-feira, setembro 10

    Bjorg-mania

    Minha idéia super original de dar um CD fresquinho da Björk de presente... não foi tão original. Pelo menos acho que meu CD é mais original: depois de baixar todas as músicas, descobri que tinha várias versões diferentes de cada uma. Coisa irritante quando você baixa músicas da internet e elas não são na verdade o que realmente está no disco. Não tenho a menor idéia se aquelas músicas são as 14 do CD, provavelmente não são. Só sei que são todas dela (a voz é meio inconfundível). A contra-prova chega amanhã. E-mail do meu pai: "Ju, comprei o CD da Bjorg (Medulla, limited edition, includes exclusive poster)". Ueba!

    ***

    Agora estou me divertindo pra montar um best of pedagógico da Björk. Na primeira tentativa, já coloquei umas cinco músicas do primeiro disco e parei por aí mesmo. Desse jeito vou partir logo pra lançar a obra completa, uma caixa histórica, com depoimentos, gravações raras... Em formato de cubo de gelo. Ou iglu. Tá, parei. Mas vou tentar de novo.

    Koalas e outros animais
    Depois de decidir definitivamente não ir no Sonar, uma amiga ganhou um ingresso e eu resolvi acompanhar. Raciocínio de um amigo: "só vai ter mina gata, porque é muito caro". Bom, eu sou estudante, pago R$ 50. E "mina gata" é um conceito relativo. Do line-up, eu acho que conheço mesmo só o Trio Mocotó. Já ouvi que o Laurent Garnier (6h da manhã!!) é muito bom. E baixei um disco de um cara chamado Kid Koala. Que é, olha, bacana meeeishmo. Lembra Proppellerheads, sonzinhos meio R&B sob uma colagem de frases que parecem tiradas de filmes americanos dos anos 50. Escaldado da fila sem noção do Skol Beats,
    acho que vou chegar no comecinho da noite, nem que seja pra ficar dormindo em algum lugar até mais tarde. Boa sorte pra mim.

    Ah, vocêêê...
    Menção especial à volta de Carlos Vereeeza, o homem que é uma voz. "Ah, Chiquiiiita..."

    PS: Semana de posts musicais. Os gastronômicos voltam semana que vem.

    quinta-feira, setembro 9

    State of emergency 2



    Só não tive um pequeno treco porque estava em plena redação: tem disco novo da Björk. Lançou no dia 30/8, chama-se Medúlla, já está metade baixado aqui no meu computador, e um novinho chega de Londres no sábado. Sorte do Mau (a única pessoa que eu conheço que gosta tanto de Björk quanto eu) que marcou festinha de aniversário pra hoje e vai ganhar de presente um disco fresquinho. Críticas, resenhas, aguardem.

    quarta-feira, setembro 8

    Down by the sea

    Depois de oito meses longe, a volta pra casa da praia podia ter sido com chuva de granizo e miojo, que eu já ia adorar, mas não foi: teve muito sol, quilos de churrasco e prolongados momentos de interação familiar. Tinha quase esquecido o quanto é bom (e viciante) jogar Imagem & Ação com os meus irmãos. Nível profissional, ninguém estava pra brincadeira. Teve até caminhada nas pedras pra prainha escondida (existe sim! ;-)), mas a recompensa no final foi uma aguinha bem gelada mesmo, que a dor de cabeça da ressaca estava pegando demais pra uma cervejinha. Com direito a quase me esborrachar nas pedras, e quase ficar entalado também. Está combinado que nunca mais fico tanto tempo sem ir, e que a gente compensa as ausências no sítio da minha mãe com um almoço na volta da praia. Desde que não seja churrasco de novo!

    Segredos de liquidificador
    No domingo, a cerveja começou a sair ao meio-dia de um isopor na areia. E não parou até 5 da manhã, na última revanche do dia no Imagem & Ação. E quando a gente foi buscar mais porque tinha acabado, trouxemos também uma garrafinha de vodka e uns limões. Que perigo! O resultado foi uma dor de cabeça mala a segunda-feira toda. No final do dia, decidi que ia fazer um sucão de limão com cidreira e não tomar cerveja enquanto a dor de cabeça não passasse de vez. Quando fui tirar o suco prontinho do liquidificador, a parte de baixo abriu e foi uma enxurrada de suco de limão pia abaixo. Perda total, tragédia. Fui obrigado a tomar cerveja. Até acabar. E tomar caipiroska também. Até dormir. A dor de cabeça? Acho que foi pelo ralo também.

    Cerveja no frango
    Foi o Rodrigão que deu a idéia, eu falei pra minha mãe, que fez e levou um potinho pra mim: frango com molho de Caracu e sopa de cebola. Por esdrúxulo que possa parecer, é muito gostoso. E o melhor: simples demais de fazer. Tempera o frango do jeito que preferir, depois dá uma rápida fritadinha nele na panela e joga a cerveja (uma latinha tá bom) e um pacote de pózinho pra sopa de cebola. Fica muito bom. Tudo bem que ajudou o fato de eu chegar em casa na quarta-feira e encontrar esse frango na geladeira e mais um monte de potinhos de molho de tomate, e uns legumes, e um macarrãozinho... Morar sozinho é muito bom, mas quando a minha mãe e a Jose fazem comidinhas, é bem melhor.

    Put you down for a while
    Descobri, 35 anos depois, o primeiro disco do Led Zeppelin. Um amigo foi o responsável, como disse meu irmão, pela minha "iluminação". A lembrança que eu tinha de Led era aquela adolescente, roquenrou, muito loco, véi. Tinha uma certa preguiça, assim como tenho de Bob Marley e The Doors. Não achei que fosse esse blues bacana, guitarrinhas geniais. Dá até pra agüentar os gritinhos do Roberto Plant. "I Can't Quit You Baby" é campeã do headphone no momento.

    State of emergency
    Quando ouvi Homogenic, da Björk, pela primeira vez, além de ficar totalmente passado com aquela profusão de cordas e sofrimento, pensei na hora: "imagine esse disco ao vivo". Eu tinha visto ela no Free Jazz (1996), e virado fã obcecado. E meu pensamento virou premonição: ela voltou em 1998, e eu comprei o ingresso correndo. No dia do show, de plantão, vi no UOL a foto do palco entortado. O show foi cancelado, e eu nem fui buscar o dinheiro, de raiva. Nem sei como perdi esse disco depois, mas agora recuperei na net e ouço umas cinco vezes por dia. "Joga" e "Bachelorette" são épicas, clássicas. E o resto é muito bom também.

    PS musical
    Enfiei lá o CD best of do Morcheeba, mas as primeiras músicas eram todas do disco que eu comprei em 1999 apaixonado por uma menina que falou que era muito bom. Era mesmo, e eu fiquei um bom tempo ouvindo, sonhando com a menina. Claro que depois tudo mudou, a vida se encarregou de dar um sumiço nessa paixão. Mas ainda é muito gostoso sentir uma época inteira voltar só ouvindo essas músicas. Em geral sou contra letra de música no blog, mas esta acho que vale:

    Fear And Love
    We always have a choice
    Or at least I think we do
    We can always use our voice
    I thought this to be true
    We can live in fear
    Extend ourselves to love
    We can fall below
    Or lift ourselves above

    Fear can stop you loving
    Love can stop your fear
    Fear can stop you loving
    But it's not always that clear

    I always try so hard
    To share my self around
    But now I'm closing up again
    Drilling through the ground

    Fear can stop you loving (repete...)

    I'd love to give my self away
    But I find it hard to trust
    I've got no map to find my way
    Amongst these clouds of dust

    (Repete várias vezes...)