sexta-feira, abril 23

Tio Zé

Na minha casa tinha uma estatuazinha (estatueta?) de madeira, era um tiozinho bigodudo com uma garrafa de cachaça na mão, e uma cara de felicidade bebum. A gente sempre dizia que ele era a cara do tio Zé, o irmão mais velho da minha mãe.

O tio Zé na verdade é o tio Antunes (meu avô achou lindo usar um sobrenome de primeiro nome) e deve ter hoje uns 70. Ele virou tio Zé quando fugiu da repressão e se escondeu no Araguaia, casou de novo e foi morar em Brasília. Acho que lá no começo dos anos 80, minhas primeiras lembranças dele, ainda não podia dizer que o tio Zé não era tio Zé.

Os filhos dele (da segunda mulher) são da minha idade, a gente brincava todo final de semana. Foi na casa dele, com uns oito anos, que eu descobri que pamonha não dava em árvore. Tinha um queijo dentro! Depois a filha dele, da primeira mulher, foi morar com a gente em Londres e virou a irmã mais velha que eu não tinha. (Post it mental: ligar pra ela).

Depois o tio Antunes/Zé deu uma pirada, casou com a empregada e foi morar em Piúma (litoral do ES). Amanhã ele vai estar na pamonhada com carne de sol que vai rolar na casa da minha mãe. Aposto que ele vai me dar um abraço e um cheiro no cangote, me espetando o pescoço com o bigode, que nem eu lembro de antigamente.

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